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18 de nov. de 2013

Raio-X: os motivos por trás do início impressionante do Pacers

Carlos Petry

Roy Hibbert
 
Após levar o Heat ao limite nas Finais da Conferência Leste dos playoffs da temporada passada, o Pacers começou a temporada de forma inspirada, vencendo suas 9 primeiras partidas. A primeira derrota acabou acontecendo no último sábado, diante do Bulls. Ainda assim, a equipe de Indiana mantém a melhor campanha da NBA (ao lado do Spurs). Na estreia da série Raio-X, analiso os fatores por trás do sucesso do time treinado por Frank Vogel.

Os números


Campanha
9-1 (1º)
Eficiência ofensiva (OffRtg)
101,8 (14º)
FG%
45,7 (12º)
3pt%
36,8 (12º)
Eficiência defensiva (DefRtg)
91,4 (1º)
FG% do adversário
39,8 (1º)
Eficiência líquida (NetRtg)
+10,4 (2º)


Princípios defensivos


Na NBA de hoje, em que a distinção entre arremessos "bons" e "ruins" está ficando cada vez mais clara e menos subjetiva, uma boa defesa precisa de fundamentos coerentes. Embora seja impossível impedir que o time adversário arremesse, uma defesa de qualidade é capaz de ditar os
tipos de arremessos que são concedidos. E é esse o principal segredo do sistema defensivo do Pacers, dono da defesa mais eficaz da NBA até o momento.

Tendo como base os números da temporada passada, o arremesso mais eficiente que existe é aquele de dentro da área restrita. Em média, as 30 equipes da NBA acertaram 60,5% das vezes nesse tipo de lance. O segundo arremesso mais eficiente é a bola de três pontos da zona morta. Embora as equipes tenham acertado 39% nesse tipo de lance, é necessário ter em mente o ponto extra da cesta de três. Levando isso em conta, o aproveitamento ajustado (chamado de effective field goal percentage, ou eFG%) aumenta para 58,5%. Já os arremessos menos eficientes são aqueles que ocorreram dentro do garrafão, mas fora da área restrita (38,5% de aproveitamento) e as bolas de média distância (39,3%).

E é aí que entram os princípios defensivos do Pacers. A equipe é a que permite o segundo maior número de arremessos de média distância da NBA: 28 por partida. Como comparação, o Pistons, dono da pior defesa da liga até aqui, permite apenas 19,9 chutes desse tipo. O Pacers não se importa que o adversário arremesse dessa distância; na verdade, é exatamente isso que Vogel quer que aconteça. Apesar de permitir um alto número de arremessos de média distância, a equipe aplica tamanha pressão defensiva que o aproveitamento dos adversários nesse tipo de lance está bem abaixo da média (33,9%).

Por outro lado, o Pacers faz de tudo para evitar que o adversário arremesse de longa distância. Em média, os adversários arremessam apenas 3,8 bolas de 3 da zona morta e 12,6 das demais áreas (em ambos os casos, a 3ª menor média da NBA).

Mas e os arremessos mais eficientes de todos, aqueles que ocorrem dentro da área restrita? Embora o Pacers até consiga reduzir o volume de arremessos perto da cesta, a média de tentativas concedidas é apenas razoável (24,9 por jogo, 9ª menor da liga). É aí que entra o segundo elemento fundamental da defesa de Indiana.

A muralha também conhecida como Roy Hibbert


OK, então o Pacers limita os arremessos perto da cesta relativamente bem (mas não de modo excepcional). O segredo aqui não é o número de arremessos permitidos, e sim o aproveitamento nesses arremessos. Nisso, Indiana lidera a NBA com sobras. Em média, os adversários só têm acertado 49,8% das tentativas dentro da área restrita. Trata-se de um número incrível. Na temporada passada, em que o Pacers já havia sido o melhor da liga nesse aspecto, o aproveitamento concedido pela equipe nesse tipo de lance havia sido 54,2%.

O nome por trás dessa estatística impressionante é Roy Hibbert. Um dos melhores defensores de garrafão da NBA há algum tempo, este ano Hibbert está jogando em um nível ainda mais alto. Começando com uma estatística bem básica: Hibbert lidera a NBA em tocos por partida (são 4,6 por jogo, em média). Como referência, o segundo colocado é Anthony Davis, com 3,6 por partida.

Mas o impacto do pivô vai além dos tocos. Em média, os adversários do Pacers tentam 10 arremessos perto da cesta por jogo com Hibbert na marcação. Nessas tentativas, o aproveitamento é de apenas 35%. Dwight Howard, por exemplo, marca 11,6 arremessos perto da cesta por partida, mas os adversários vêm acertando 47,7% de suas tentativas.

Mais um exemplo do impacto defensivo de Hibbert é a diferença entre os números defensivos do Pacers com o pivô em quadra e no banco. Quando Hibbert está no jogo, a eficiência defensiva (pontos concedidos a cada 100 posses do adversário) de Indiana é de 88,4, um número simplesmente impressionante. Por outro lado, quando ele está no banco, a eficiência do Pacers cai para 103,7. Ou seja: com Hibbert em quadra, a defesa da equipe é equivalente à melhor da NBA (com folga); quando ele está descansando, a defesa fica abaixo da média (equivalente à 22ª melhor da liga).

Mas Hibbert não é o único destaque individual do Pacers nesta temporada.

A ascensão de Paul George


Embora a principal virtude do Pacers seja a excelente defesa, a equipe também tem qualidades ofensivas. O time tem a 14ª melhor eficiência ofensiva (pontos marcados a cada 100 posses) da liga; ou seja, nada sensacional, mas razoável. No ano passado, Indiana teve apenas o 19º melhor ataque, então também há sinais de crescimento nesse aspecto. E esse crescimento se deve, em grande parte, à evolução de Paul George.

George já havia dado um salto de qualidade na temporada passada. Com a lesão de Granger, o jovem ala passou a ser principal opção ofensiva do Pacers e não decepcionou. Ainda assim, era possível ver pontos fracos no jogo ofensivo de George: o jogador não foi dos mais eficientes (41,9% de aproveitamento), principalmente nos arremessos de média distância (36,3%, abaixo da média da NBA). Além disso, para uma primeira opção ofensiva, o ala não atacava a cesta o suficiente (apenas 3,5 lances livres por partida).

Até aqui na temporada, George vem apresentando enorme evolução em todos esses aspectos, se estabelecendo como uma primeira opção ofensiva de altíssima qualidade. Sua média de pontos melhorou (23,3 por jogo, contra 17,4 em 2012/13), bem como sua eficiência (46,5% este ano, 55,6% de média distância) e agressividade (5,8 lances livres por jogo). Seu impacto fica evidente quando comparamos a eficiência ofensiva do Pacers com e sem George em quadra. Com o ala, o Pacers tem uma eficiência ofensiva de 107,4 (equivalente ao 3º melhor ataque da NBA). Quando George vai pro banco, a eficiência cai para 98,2 (o que seria o 23º melhor ataque).


Na temporada 2012/13, o aproveitamento de George só foi acima da média em uma área da quadra.
Na temporada atual, George tem aproveitamentos acima da média nas duas zonas mortas, de média distância e dentro do garrafão (excluindo a área restrita).


O início da equipe é sustentável?


Após um começo tão positivo, a dúvida que surge é se o que o Pacers vem fazendo pode ser mantido ao longo da temporada. Embora não faltem motivos para otimismo, também há razões para questionar a sustentabilidade da fase atual.

A primeira delas é o nível dos adversários de Indiana até aqui: de 10 jogos, só 2 foram contra oponentes com mais de 50% de aproveitamento (2 partidas contra o Bulls, com 1 vitória e 1 derrota). A verdade é que a forte defesa do Pacers ainda precisa ser testada – e na derrota contra o Bulls, falhou pela primeira vez.

Além disso, alguns números são tão extraordinários que tudo indica que, com o tempo, eles regredirão para níveis mais "normais". Alguns exemplos são a defesa na área restrita, o aproveitamento de George em arremessos de média distância e a média de tocos de Hibbert.

Ainda assim, mesmo que as estatísticas não se mantenham no atual patamar estratosférico, uma coisa é certa: a filosofia permanecerá a mesma. A defesa continuará sendo uma das melhores da liga. Hibbert será um dos melhores defensores de garrafão da NBA (forte candidato ao prêmio de Defensive Player of the Year). George continuará sua trajetória ascendente.

Os números podem até variar, mas os princípios se manterão consistentes. E é nisso que o Pacers aposta para brigar pelo título desta temporada.

Fontes usadas neste post: NBA.com/Stats, 82games.com

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